terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Voz do meu peito

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Este fado era mais fado
Se tivesse acontecido
Na noite do nosso amor
Seria voz de pecado
Seria fogo extinguido
Seria prazer maior


Este fado era diferente
Se tivesse sido escrito

Com o lápis da ternura
Seria, seguramente
Poema quase bendito

Bendizendo esta loucura

Este fado era perfeito
Se falasse no teu nome

Ou na cor do teu olhar
Fado meu, voz do meu peito
Que me vais matando a fome

Dum amor que anda a cantar
Naquela casa aonde o fado mora
A nossa alma até alma chora

Quando o fado lá não está
Naquela casa aonde o fado é gente
Há um sonho diferente

Que só o fado nos dá

Naquela casa aonde o fado entoa
Há uma voz que apregoa

A saudade aos quatro ventos
Há sonhos lindos, solidão e dôr
E p'la voz dum grande amor

Há mais cor nos sentimentos

Na casa do fado tudo tem mais cor
E a luz do amor é mais divinal
Na casa do fado tudo é poesia
Tudo tem magia, tudo é mais real


Naquela casa aonde o fado mora
O ciúme não devora

Nem sequer faz padecer
Naquela casa aonde o fado é rei
O silêncio tem a lei

Que toda a alma requer

Naquela casa aonde fado é esperança
Ninguém tem a importãncia

Que um grande poema tem
A poesia ocupou seu tono
E o sentimento é dono

Dos fados de mal e de bem

fado da minha vida

Alma rasgada

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Rasguei a alma por dentro
Para que a lei do meu tempo
Não me fosse tão nefasta
E fui aos livros do mundo
Beber um verso fecundo
Mesmo com a alma gasta

Fui ao fundo do meu sonho
Beber um verso risonho
Que nem sempre tem sabor
Voltei de mão estendida
E foi pela mão da vida
Que a vida me fez melhor

Reencontrado e feliz
Reneguei o que não quis
Para aceitar o que sou
Agora só me procuro
Quando quero que o futuro
Tenha a rima que lhe dou